terça-feira, 11 de março de 2008

Barrados no baile

Eu não vou dar um de politizado aqui, nem é este o objetivo do blog.
Objetivo do blog é escrever minhas experiências fora do Brasil e volta e meia compartilhar algum pensamento, e é por este último motivo que eu escrevo.

Eu continuo acompanhando notícias do Brasil, talvez mais do que se eu estivesse morando lá. Por estas e outras, tudo que eu vejo sobre diplomacia e relacionamento entre países acaba sendo do meu interesse.
A última e mais calorosa delas vem sendo a azeda relação diplomática entre Espanha e Brasil, duas nações que, aparentemente, não fazem idéia de quão irmãs são!
Para quem não sabe, há alguma semanas cerca de 30 brasileiros foram barrados em aeroportos de Madri. Impedidos de entrar naquele país, eles foram mandados de volta para o Brasil.
A explicação é sempre a mesma: não possuir passagem aérea de retorno, não possuir comprovantes de renda (cartões de crédito ou dinheiro em espécie, por exemplo) e nem um lugar para permanência (hotel, casa de amigo, etc..).

Alegando um princípio diplomático conhecido como "reciprocidade" o Brasil fez o mesmo com alguns espanhóis em Salvador: mandou os espanhóis de volta.
Se eu tivesse no Brasil eu provavelmente estaria muito revoltado com a Espanha (por ter repatriado os brasileiros) e estaria dando meus parabéns a atitude brasileira, mas depois de conhecer a realidade da vida no exterior eu posso dizer que medirei minhas palavras antes de tomar conclusões.

A Espanha, assim como outros países, por estar na União Européia e fazer parte do Acordo de Schengen, (basicamente livre trânsito entre países da Europa) é uma porta de entrada para que você possa perambular pela Europa sem muita encheção de saco. E mais, por estar na Europa (o nome que brilha nos olhos da maioria dos brasileiros), ela também é alvo de imigração por estrangeiros de países emergentes (por exemplo, Brasil).
Anualmente centenas de brasileiros saem do Brasil para outros países da Europa para tentar uma vida melhor. Alguns tem sucesso, outros acabam em trabalhos piores que aqueles no Brasil, outros se frustram e voltam para a terra verde e amarela, enfim, é sempre aquela história de sempre. Sem mencionar que na maioria das vezes a intenção é única e exclusivamente exploratória: ganhar dinheiro.

Na minha visita a Alemanha eu pude perceber que a maioria dos brasileiros que lá residem não tem a intenção de se interagir culturalmente, não vêem a necessidade de entender a cultura e o relacionamento interpessoal e tão pouco aprender a língua. E não me venham falar que visitar os parques e castelos é interação cultural (isso é turismo!)! Acabam criando mais e mais redutos de brasileiros, turmas, enfim, a interação local é mínima. Daí são essas e outras coisas que ofendem qualquer nativo. E eu não acho que isto aconteça somente na Alemanha.
Imagine o Brasil como uma das potências mundiais e, subitamente, uma invasão em massa de costa-riquenhos começa, mais e mais costa-riquenhos chegando, querendo trabalhar e ter uma vida melhor, andando apenas com seus amigos costa-riquenhos e não dando a mínima para o país. Para algumas nações isso soa como colônias dentro do seu país, uma espécie de dominação paulatina sem controle.
Não ficaria abismado se esta hipótese soasse "legal" para os brasileiros, pois somos conhecidos (e somos!) por sermos muito amigáveis e flexíveis com diferenças culturais. O que deixamos escapar é que é um erro pensar que outros países deveriam ser assim também, seria uma inflexibilidade cultural por nossa parte (ou quase imposição da sua cultura).

Eu não estou dizendo que todos os brasileiros que saem do Brasil agem desta forma, muito pelo contrário, conheço muitas pessoas (inclusive vivendo na Alemanha) que não se comportam de tal maneira e são exemplo de embaixadores brasileiros, porém esta minoria acaba pagando o preço da maioria, como sempre.

No outro lado da moeda, o Brasil está certo em fazer esta retaliação. Generalizar e tratar o cidadão brasileiro como marginal não foi uma atitude correta por parte dos oficiais espanhóis e como disse nosso Ministro da Justiça (Tarso Genro) à Folha, "é necessário que a legislação seja olhada com lupa, para que se sinta também do lado de lá que aqui tem leis".

Se a polícia espanhola tivesse feito o serviço direito desde o começo, eu acredito que eles não estariam tomando esta atitude agora. Eu digo isso por que existem centenas de brasileiros que conseguiram burlar a imigração e hoje trabalham ilegalmente na Espanha e a polícia espanhola tentar resolver o problema de forma precipitada nunca foi e nunca será uma solução sábia.

Com estes pensamentos eu já tive inúmeras conclusões mas eu escreverei aqui uma que considerei a mais importante: não tente ser 100% brasileiro fora do Brasil, não funciona - só piora! E o critério "ser brasileiro" vai desde "o jeitinho brasileiro" até onde a sua imaginação conseguir ir.

4 comentários:

filomeno2006 disse...

A Zp y Caldera.....¿Le han "leído la cartilla" en Europa?

Samyra disse...

Adorei seu texto Jorgines, concordo totalmente com voce. E voce sente mais isso que qualquer um por aqui porque voce vive isso né?!? Espero que ninguem te barre qdo voce voltar pra casa dizendo que "nórdicos" como voce não podem pegar o sol dos trópicos haeuhaeuaheuaheua
bjuuuuuuuuuuuuuuu

Anônimo disse...

mariano rajoy brey ama y entiende a brasil y a los brasileños.......

Anônimo disse...

brasileiros barrados em madrí com mariano rajoy brey de primeiro ministro.......e o catalao jorge fernández........