Então eu já acordei às 12h querendo ver o dia passar.
Sem paciência e motivação nenhuma para cozinhar meu almoço eu fui procurar algo para comer na rua. Não muito distante de casa eu parei no supermercado (hipermercado, na verdade) e no segundo andar fui fazer uma (re)visita ao Fornetti.
Fornetti é uma franquia que vende desde salgados/doces folheados a pizza (com uma massa típica). Eu fui de pizza. Comi uma pizza de 8 pedaços sozinho (calma, calma, aqui é normal. É possível comer uma pizza de 8 pedaços sozinho, principalmente por que a massa é da finura da massa de pastel! haha).
Já "triste" de tanto comer e impossibilitado de andar, desafiei minha falta de perspectiva e rumei para o ponto de ônibus, decidido a mudar o cenário e clima de domingo.
E para onde eu ia? Sei lá! Peguei o ônibus de sempre, que me deixaria no centro. No meio do caminho eu lembrei que tinha uma mostra (disponível até outubro) no museu Nacional cujo tema era "A Eslováquia no século 20". Alguns intercambistas já tinham ido nesta amostra e falaram muito bem, e que inclusive tinha versões em inglês. Pronto, já tinha para onde ir, apesar de não saber se estaria ou não aberto.
Cheguei na entrada do museu e li a plaquinha: "Aberto de terça a domingo, das 9h às 17h". Ou melhor: "Utorok-Nedel'a - 9h-17h". Viva!
Paguei o equivalente a 5R$ (desconto para estudante) e me aventurei pela Eslováquia do século 20, por cerca de 2:30h.
A Eslováquia que não era Eslováquia, mas sim uma colônia explorada pelo império Austro-Húngaro;
A Eslováquia dominada pelos Húngaros (tão dominada que teve, no começo do século 20, imposições de ensino da língua húngara nas escolas);
A Eslováquia que conseguiu sua semi-identidade na formação da Checoslováquia de 1918;
A Eslováquia que perdeu sua semi-identidade em 1939 e tornou-se fantoche da Alemanha Nazista;
A Eslováquia que sofreu pela perda de milhares de judeus nos campos de concentração durante o Holocausto;
A Eslováquia que ganhou sua semi-identidade novamente, pós 1945, em seu estado Checoslováquia, expulsando alemães e húngaros de sua terra;

A Eslováquia que perdeu sua liberdade no período vermelho, sobre influência da União Soviética;
A Eslováquia que ganha sua liberdade após a vitória do c apitalismo sobre o socialismo, em 1989;
A Eslováquia que agora sim poderia ser chamada de Eslováquia, na dissolução da Checoslováquia, em 1993;
A Eslováquia da União Européia, em 2004;
A Eslováquia do acordo de Schengen, em Dezembro de 2007;
Por todos estes marcos históricos do país, inclui-se fotos, moedas, uniformes e aparatos de guerra, declarações, muitos vídeos e vários papéis.
Para mim foi como tirar dos livros fatos e datas, o sofrimento de povos e a ânsia pela soberania nacional, e ver tudo alí, ao vivo, "no preto e no branco". Foi uma aula de história.
Saindo museu resolvi passear no centro, não esperando muita gente, como todo "domingo na minha cabeça".
Era um domingo de sol e, ao contrário do que pensei, as ruas do centro velho estavam entupidas de gente!
Turistas e mais turistas, nativos tomando banho de sol no gramado à beira do rio Danúbio. Pais e filhos caminhando. Jovens carregando seus patins nos ombros indo para não-sei-onde. Mães empurrando seus carrinhos de bebê. Cachorros e mais cachorros, alegres e felizes andando com seus donos pela cidade. Foi como reavivar o ânimo e tirar da cabeça que os domingos na Eslováquia são como os domingos do Brasil.
Lojas abertas, feiras e barraquinhas alimentadas pelo turismo do centro velho. Muito, mais muito movimento..
Após cruzar o mar de gente, entrei num café, sentei e pedi um
capuccino, com direito a diálogo em Eslovaco!
(Jedena capuccino, prosím!)
Saboreei o
capuccino ao mesmo tempo que lia o livreto do museu, com os pontos turísticos e amostras/exibições do mês (e já tenhos mais programas agendados - aguardem!)
No meio da leitura eu tive a brilhante idéia de ir ao cinema. Ainda eram 16h e o shopping era "logo alí", então tomei um ônibus (me perdi por uns 15min) e cheguei no shopping.
Como reflexo do centro, mais e mais gente andava para lá e para cá, como os shoppings no Brasil no domingo.
Comprei meu bilhete para a sessão "Onde os Fracos Não Têm Vez" (
No Country for Old Men), áudio em inglês e legenda em tcheco!
Como a sessão ia começar em 2h, fui gastar a sola do meu tênis andando pelo shopping e no meio do hall da entrada principal (eu tinha entrado pela lateral) eu me deparo com um torneio de squash e uma semi-arquibancada montada para o público!
Não me lembro a última vez que vi um jogo de squash, para falar a verdade se eu vi eu nunca prestei a atenção, então dei esta chance a mim mesmo, comprei uma água e sentei na arquibancada. Confesso que é um jogo interessante de se ver! Dá até emoção..
Fiquei quase o tempo todo alí, sentado, vendo a bolinha pingando para lá e para cá na quadra montada em 100% de vidro transparente.
Saí dalí, passei na C&A, comprei umas roupas e fui pro cinema.
O filme é
excelente e vale a pena! Tive que fazer o esforço de uma mãe que vai dar luz ao filho para entender o sotaque texano do Tommy Lee Jones, mas consegui entender o filme. Ufa.
Já eram 20:30h quando o filme acabou. Cheguei em casa 21:30h, pus a roupa para lavar, mexi um pouco na internet e fui dormir. Afinal, segunda-feira 6:20 me espera..
* Desculpe a ausência de fotos neste relato, mas, como falado, foi totalmente fora de planejamento! ;)