Bom, agora são 2:10h da madrugada de domingo e eu perdi meu vôo para Cuiabá.
Sobestimei o transporte público paulistano e acabei perdendo meu vôo - o que resultou em 8h de espera até o próximo vôo.
Coincidência ou não, há 8 meses atrás eu estava neste mesmo aeroporto escrevendo sobre minha ida à Eslováquia - sentado no chão, ainda na euforia de ver o novo.
Ainda recebo perguntas que não consigo responder - como foi a viagem? gostou? compensou? etc..etc.
Não dá. Eu sei que foi bom, eu gostei, mas eu não consigo colocar tudo em palavras, tudo que falo é "Foi ótimo" ou "Compensou", mas, para mim, monossílabos sem explicação são como políticos falando "Investirei na educação!" - mas de onde o dinheiro vai sair, ninguém sabe.
Meu português ainda está inferrujado, às vezes eu ainda assusto com tamanha pobreza e desigualdade que temos nas ruas, sem mencionar na falta de educação em todos os cantos públicos - minha última experiência foi com transporte público, frustrante. Mas eu supero.
No mais, vou fechar este blog pois não consigo deixar responsabilidade abertas.
Aos que se interessarem sobre a Eslováquia ou intercâmbio para a Europa, sinta-se à vontade de procurar (email/MSN disponível no perfil).
Ahoj! :)
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domingo, 31 de agosto de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Praga, novamente
Estranho quando pensamos que uma cidade parece algo bem distante da sua realizade e, de repente, ela vira uma coisa, assim, "blé".
Nunca morei em Praga, adoro a cidade, era uma das primeiras cidades que queria visitar na Europa e de repente de pego indo para lá pela terceira vez.
Hoje meu chefe veio aqui falar que eu e o meu outro chefe estamos indo para Praga, na terça-feira que vem, para receber treinamento da IBM sobre um produto que eu venho martelando a cabeça para fazer funcionar há umas 3 semanas.
Já disse: se não sabe, pesquisa. Se não achou,pergunta. Se não responderam, esperneie :)
Abraços!
Nunca morei em Praga, adoro a cidade, era uma das primeiras cidades que queria visitar na Europa e de repente de pego indo para lá pela terceira vez.
Hoje meu chefe veio aqui falar que eu e o meu outro chefe estamos indo para Praga, na terça-feira que vem, para receber treinamento da IBM sobre um produto que eu venho martelando a cabeça para fazer funcionar há umas 3 semanas.
Já disse: se não sabe, pesquisa. Se não achou,pergunta. Se não responderam, esperneie :)
Abraços!
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Síndrome de Estocolmo
"A Síndrome de Estocolmo (Stockholm Syndrome) é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do seqüestrador."
Meus dias pela Eslováquia estão contados e parece que eu estou vivendo uma certa "Síndrome de Estocolmo" após meus (quase) 8 meses de vivência nestas terras.
Eu não sei até que parte é vínculada a minha naturalidade de parar para entender tudo e não julgar nada nem ninguém - e sempre fazer o maior esforço do mundo para, antes de julgar, falar que eu é que não entendi direito para repensar e reanalisar.
Enfim, é que ainda me dói ouvir de brasileiros frases como "Eslováquia? Mas o país é tão pobrinho!".
Aí eu não sei onde que dói mais: se é naquele lado meu que tenta sempre ser flexível e humano ou se é o lado "você vive no Brasil, se toca".
Eslováquia pode ser "pobrinha", como dizem, pode não ter as terras que o Brasil tem, pode sder 20x menor em população que o Brasil, não ter economias como a alemã ou a francesa, mas pelo menos aqui as pessoas não se matam por um relógio de pulso, como no Brasil.
É claro que cada país teve seu passado diferente e justamente aí que mora o ponto: entender.
Querer que um país recém-comunista, sem qualquer ajuda externa (como aconteceu com a Alemanha pós-guerra), atinja patamares econômicos astronômicos em 20 anos é querer que os políticos corruptos do Brasil sumam de uma eleição para outra: é impossível.
Como disse, aqui as pessoas não se matam por um relógio de pulso por que, querendo você, liberal de direita ou conservador, ou não, o comunismo do passado ajudou a criar uma sociedade "educada" e com índice (muito proximo de) zero de analfabetismo.
Armas de fogo também não existem.
Então fica o recado: antes de falar de qualquer nação, país ou cultura, pense 10x: a sua pode ser muito, mas muito pior.
Dito.
p.s: eu não perdi minha nacionalidade. Aliás, quem viver verá que eu voltarei espantosamente mais nacionalista, como nunca viram antes....
Fonte: Wikipedia
Meus dias pela Eslováquia estão contados e parece que eu estou vivendo uma certa "Síndrome de Estocolmo" após meus (quase) 8 meses de vivência nestas terras.
Eu não sei até que parte é vínculada a minha naturalidade de parar para entender tudo e não julgar nada nem ninguém - e sempre fazer o maior esforço do mundo para, antes de julgar, falar que eu é que não entendi direito para repensar e reanalisar.
Enfim, é que ainda me dói ouvir de brasileiros frases como "Eslováquia? Mas o país é tão pobrinho!".
Aí eu não sei onde que dói mais: se é naquele lado meu que tenta sempre ser flexível e humano ou se é o lado "você vive no Brasil, se toca".
Eslováquia pode ser "pobrinha", como dizem, pode não ter as terras que o Brasil tem, pode sder 20x menor em população que o Brasil, não ter economias como a alemã ou a francesa, mas pelo menos aqui as pessoas não se matam por um relógio de pulso, como no Brasil.
É claro que cada país teve seu passado diferente e justamente aí que mora o ponto: entender.
Querer que um país recém-comunista, sem qualquer ajuda externa (como aconteceu com a Alemanha pós-guerra), atinja patamares econômicos astronômicos em 20 anos é querer que os políticos corruptos do Brasil sumam de uma eleição para outra: é impossível.
Como disse, aqui as pessoas não se matam por um relógio de pulso por que, querendo você, liberal de direita ou conservador, ou não, o comunismo do passado ajudou a criar uma sociedade "educada" e com índice (muito proximo de) zero de analfabetismo.
Armas de fogo também não existem.
Então fica o recado: antes de falar de qualquer nação, país ou cultura, pense 10x: a sua pode ser muito, mas muito pior.
Dito.
p.s: eu não perdi minha nacionalidade. Aliás, quem viver verá que eu voltarei espantosamente mais nacionalista, como nunca viram antes....
terça-feira, 8 de julho de 2008
Dia daqueles..
Se tem uma coisa que eu não erro é quando eu falo "hoje não, hoje não é o dia para se levantar da cama".
Existem os dias de se acordar cedo, tomar café, fazer exercícios, sair correndo atrasado e o dia em que você não quer levantar. Ontem foi este dia.
Mas sabe como é, tem que trabalhar, né? Então lá vamos nós.
Peguei carona com o Alex até o trabalho dele e de lá eu peguei um bonde.
Como os bondes estavam atrasados, acabei pegando outro que não o de costume e tive que parar em outro ponto, para pegar um ônibus.
O ônibus não veio. Andei 5min até o próximo ponto de ônibus. Olhei as horas no relógio, comparei com a tabela: okay, vem em 3min.
Passam-se 5 minutos, nada. Passam-se 10 minutos, nada. Passam-se 15 minutos e um rapaz vai conferir o horário na tabela novamente. O rapaz olha com cara de "Oi? Não to entendendo?", uma senhora exclama algo (em eslovaco, óbvio) para o rapaz. Eu não entendo (óbvio 2) e o rapaz soca o quadro de acrílico com a tabela de horários, e sai.
Passam-se 20 minutos e eu já era para estar no trabalho, mas não, ainda estava há 30 minutos dele.
Pego outro ônibus e paro num ponto de bonde aleatório. Meu bonde diário chega. Cheguei no trabalho era 10:15h.
Com aquela cara de revoltado, chego no trabalho esperando por um "Como vai?" para soltar um "Muito puto!". O "Como vai?" chegou e o "Muito puto!" saiu.
Conversa vai, conversa vem, descubro que ontem começaram as férias escolares e a frequência dos ônibus muda (e a tabela de horários que eu teria que olhar também!).
Não feliz, o dia acaba com uma chuva, comigo no meio da rua, tentando achar uma loja de materiais para construção para comprar uma roela de borracha para o chuveiro.
É óbvio também que hoje eu estou com a garganta arranhando e que em breve eu ficarei com a garganta inflamada.
E Praga vai bem, obrigado.
p.s: fiz o post sobre Londres, aqui.
Existem os dias de se acordar cedo, tomar café, fazer exercícios, sair correndo atrasado e o dia em que você não quer levantar. Ontem foi este dia.
Mas sabe como é, tem que trabalhar, né? Então lá vamos nós.
Peguei carona com o Alex até o trabalho dele e de lá eu peguei um bonde.
Como os bondes estavam atrasados, acabei pegando outro que não o de costume e tive que parar em outro ponto, para pegar um ônibus.
O ônibus não veio. Andei 5min até o próximo ponto de ônibus. Olhei as horas no relógio, comparei com a tabela: okay, vem em 3min.
Passam-se 5 minutos, nada. Passam-se 10 minutos, nada. Passam-se 15 minutos e um rapaz vai conferir o horário na tabela novamente. O rapaz olha com cara de "Oi? Não to entendendo?", uma senhora exclama algo (em eslovaco, óbvio) para o rapaz. Eu não entendo (óbvio 2) e o rapaz soca o quadro de acrílico com a tabela de horários, e sai.
Passam-se 20 minutos e eu já era para estar no trabalho, mas não, ainda estava há 30 minutos dele.
Pego outro ônibus e paro num ponto de bonde aleatório. Meu bonde diário chega. Cheguei no trabalho era 10:15h.
Com aquela cara de revoltado, chego no trabalho esperando por um "Como vai?" para soltar um "Muito puto!". O "Como vai?" chegou e o "Muito puto!" saiu.
Conversa vai, conversa vem, descubro que ontem começaram as férias escolares e a frequência dos ônibus muda (e a tabela de horários que eu teria que olhar também!).
Não feliz, o dia acaba com uma chuva, comigo no meio da rua, tentando achar uma loja de materiais para construção para comprar uma roela de borracha para o chuveiro.
É óbvio também que hoje eu estou com a garganta arranhando e que em breve eu ficarei com a garganta inflamada.
E Praga vai bem, obrigado.
p.s: fiz o post sobre Londres, aqui.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Resposta ao passado
Eu lembro muito bem.
Era meu segundo dia morando na capital mato-grossense.
Era um domingo. Eu acordei no apartamento vazio que esperava a mudança chegar, num colchão, onde hoje é a sala. Minha mãe ouvia rádio. Ela ouviu meu nome.
Com um pouco de espertesa eu consegui pegar dois ônibus para ir até a UFMT ver o resultado do vestibular.
O que interiorano não esperava era o nome dele na lista de aprovados para o curso de Ciência da Computação. A sensação foi de "trabalho cumprido".
Eu também lembro muito bem de outro dia. O sol não brilhava tão forte como de costume e o tempo era meio nublado em Cuiabá, eu estava sentado no sofá da então agora sala, assistindo TV, e com o coração na mão escutando a notícia: "Hoje, último dia de matrícula para os aprovados em primeira chamada na UFMT". E do mesmo jeito que eu ouvi aquela notícia eu permaneci durante o dia todo: não me matricularia para o curso de Ciências da Computação.
Cinco anos se passaram desde então: naquele mesmo ano eu entrei no curso preparatório (famoso cursinho), viajei alguns milhares de quilômetros até o Sudeste brasileiro para fazer provas de vestibular, mudei-me para Itajubá e, hoje, estou quase me formando em Engenharia da Computação, o curso que justificou a minha desistência à vaga na UFMT.
Eu não sabia o que eu estava fazendo, não tinha dimensão da importância da escolha, naquela época. Até hoje não posso mensurá-la, mas não me arrependo.
Pelas pessoas que conheci. Pelas fases que enfrentei. Pelas descobertas. Pelo futuro. Arrisque.
Era meu segundo dia morando na capital mato-grossense.
Era um domingo. Eu acordei no apartamento vazio que esperava a mudança chegar, num colchão, onde hoje é a sala. Minha mãe ouvia rádio. Ela ouviu meu nome.
Com um pouco de espertesa eu consegui pegar dois ônibus para ir até a UFMT ver o resultado do vestibular.
O que interiorano não esperava era o nome dele na lista de aprovados para o curso de Ciência da Computação. A sensação foi de "trabalho cumprido".
Eu também lembro muito bem de outro dia. O sol não brilhava tão forte como de costume e o tempo era meio nublado em Cuiabá, eu estava sentado no sofá da então agora sala, assistindo TV, e com o coração na mão escutando a notícia: "Hoje, último dia de matrícula para os aprovados em primeira chamada na UFMT". E do mesmo jeito que eu ouvi aquela notícia eu permaneci durante o dia todo: não me matricularia para o curso de Ciências da Computação.
Cinco anos se passaram desde então: naquele mesmo ano eu entrei no curso preparatório (famoso cursinho), viajei alguns milhares de quilômetros até o Sudeste brasileiro para fazer provas de vestibular, mudei-me para Itajubá e, hoje, estou quase me formando em Engenharia da Computação, o curso que justificou a minha desistência à vaga na UFMT.
Eu não sabia o que eu estava fazendo, não tinha dimensão da importância da escolha, naquela época. Até hoje não posso mensurá-la, mas não me arrependo.
Pelas pessoas que conheci. Pelas fases que enfrentei. Pelas descobertas. Pelo futuro. Arrisque.
sábado, 24 de maio de 2008
Eu assumo

Eu escuto Bossa Nova. Falei.
Sem entrar no mérito se é boa bossa nova, clássica ou de qualidade, pois eu ainda não estou podendo! haha
E foi preciso sair do Brasil para saber que Bebel Gilberto, Bossacucanova, Mario Adnet, Pedro Paulo Malta e Alfredo Del-Penho fazem música boa.
E quem diria que um dia eu ia colocar Fernanda Porto no meu mp3player... quem diria.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Faz-me rir
Como princípio moral pessoal, eu não discuto religião e nem política. Não discutiria futebol também se eu gostasse. Mas para tudo tem um limite.
Acho que a única coisa que me faria pronunciar tamanha estapafúrdia seria: cegueira, a hipocrisia ou a burrice. É sério. O mundo (e este Cardeal faz parte do conjunto) está cansado de saber que isso tudo de "homossexuais proibidos em mosteiros e afins" é BABOSEIRA. Tem, e de monte. Sempre teve, e sempre terá. E podem baixar decretos lei, carta santa e água benta.
(E não me pergunte como eu sei disso! haha)
O pensamento é tão retrógrado que vai de encontro com direitos humanos, constituição federal e tudo mais. Imagine o cidadão que não for aprovado na ordenação por causa de uma "séria dúvida a respeito"? Igreja Católica leva um processo muito do bem levado e eu vou é rir.
Pior, né? O Brasil, que é supostamente um país laico, não ia deixar isto acontecer (vide as frasesinhas em repartições pública com alusão ao catolicismo).
E o que isso tem a ver com a Eslováquia?
Bom, por aqui é tudo muito igualzinho: muitos católicos (69% da população, contra os 74% do Brasil), muita gente dando nó em pingo d'água e, não querendo ver aquilo que está na frente dos próprios olhos. Há anos. E o pensamento estagnado, retrógrado, "é assim por que é assim e está escrito", típico.
Amém!
(que, aqui, nada mais nada menos significa "assim seja")
p.s: desculpe se soou ofensivo, era para soar mesmo.
Acho que a única coisa que me faria pronunciar tamanha estapafúrdia seria: cegueira, a hipocrisia ou a burrice. É sério. O mundo (e este Cardeal faz parte do conjunto) está cansado de saber que isso tudo de "homossexuais proibidos em mosteiros e afins" é BABOSEIRA. Tem, e de monte. Sempre teve, e sempre terá. E podem baixar decretos lei, carta santa e água benta.
(E não me pergunte como eu sei disso! haha)
O pensamento é tão retrógrado que vai de encontro com direitos humanos, constituição federal e tudo mais. Imagine o cidadão que não for aprovado na ordenação por causa de uma "séria dúvida a respeito"? Igreja Católica leva um processo muito do bem levado e eu vou é rir.
Pior, né? O Brasil, que é supostamente um país laico, não ia deixar isto acontecer (vide as frasesinhas em repartições pública com alusão ao catolicismo).
E o que isso tem a ver com a Eslováquia?
Bom, por aqui é tudo muito igualzinho: muitos católicos (69% da população, contra os 74% do Brasil), muita gente dando nó em pingo d'água e, não querendo ver aquilo que está na frente dos próprios olhos. Há anos. E o pensamento estagnado, retrógrado, "é assim por que é assim e está escrito", típico.
Amém!
(que, aqui, nada mais nada menos significa "assim seja")
p.s: desculpe se soou ofensivo, era para soar mesmo.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Cosmopolita
Aí o cidadão me liga:
- Blablablablablabla ykiry bla! - em eslovaco.
Não, peraí. Isso não soa eslovaco.
- Tiry krý skvrt lkkt sävkl! - em eslovaco. Agora sim.
- Sorry, I don't speak Slovak! - Eu não falo eslovaco!
- Krý skvrt sävkl? Klaý kluhe vikyrí AIESEC bliv'r okubý jolí pobori tiririri lililililililililili parfum.
_ Are you going to deliver the perfume? - Você está indo entregar o perfume?
_ Okay, dobré!
Pronto, era o cara do perfume. Dobré? Como assim dobré (ok, em eslovaco), se eu não entendi nada?
Comprei um perfume pela internet, ótima oferta: entrega em domicílio em 1 dia, sem custo adicional. Como ninguém pára em casa, assim como fiz com todas as minhas outras correspondências, mandei enviar para a AIESEC (MC). Restava saber o que ele queria.
_ Michal! Save me! Crazy people calling me! - haha - Michal, me salva. Tem um louco me ligando.
Eis que o Michal, eslovaco que trabalha comigo, liga para o sujeito e após 3 min de conversa:
_ Hahahaha! Tri, ki, bli, kri! - tirando sarro numa insinuação nipo-eslovaca.
Eu com cara de interrogação.
_ What is going on? - Que sucede? - pergunto.
_ The guy is probably from Vietnam or China because he had strange slovak accent! - O rapaz é provavelmente vietnamita ou chinês pois tinha um sotaque eslovaco estranho!
_ Oh, that's why, then! - retruco - That's why I couldn't understand his slovak! - Ah! Então é por isso que eu não consegui entender o eslovaco dele! - Em tom irônico.
Eu, brasileiro, comprando perfume norte-americano, numa loja online da Eslováquia, falando inglês e tentando entender um entregador vietnamita que fala eslovaco?
É muito pra minha cabeça...
terça-feira, 13 de maio de 2008
Pensamento do Dia
Meu chefe "não me quer". Fui, numa tentativa frustrada, tentar falar com ele que há duas semanas eu já cansei de ler sobre ferramentas de desenvolvimento e eu quero é PRATICAR, ter problemas, criar. Já cansei de ver a cara do Wordpress, Blogspot, GTalk, MSN, Skype, Orkut, Facebook, UOL, The Guardian, BBC News, WNews, IDGNow, SBC Notícias - resumindo "dar F5" no meu gerenciador de feeds. Mas o cidadão "anda muito ocupado".
Vou mandar ele pastar lá na Pindorama!
Ele vai é pagar meu salário mensalmente para eu ler as 407 páginas do livro "Os Cem Melhores Contos de Humor da Literatura Universal", que eu baixei aqui? Azar dele!
Editado 10 minutos depois: Aí eu achei este link aqui. Agora estou em dúvida se leio o supracitado ou "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século".
Editado 40 minutos depois (é que são taaaaantos livros!): achei "200 Crônicas Escolhidas de Rubem Braga".
Que crueldade!
Tudo isso por que eu tenho essa natureza recalcada de fazer tudo (ou quase tudo) direito. Ou pelo menos tentar. Ou pelo menos ficar puto se não sai bem. E poupem-me os comentários de que este statement não soou nada modesto, problema é seu.
Se eu não faço, eu fico com um pulga atrás da orelha, tipo meu TD - trabalho de diploma - que tá num certo patamar inaceitável para os modelos de qualidade. Mas aí é outra história.
A propósito, alguém me alembre: o que eu vim fazer aqui na Eslováquia mesmo?
Eu quero é ver o que eu vou escrever no meu relatório de estágio, que baixe o Espírito Santo da Embromation.
Amém!
Vou mandar ele pastar lá na Pindorama!
Ele vai é pagar meu salário mensalmente para eu ler as 407 páginas do livro "Os Cem Melhores Contos de Humor da Literatura Universal", que eu baixei aqui? Azar dele!
Editado 10 minutos depois: Aí eu achei este link aqui. Agora estou em dúvida se leio o supracitado ou "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século".
Editado 40 minutos depois (é que são taaaaantos livros!): achei "200 Crônicas Escolhidas de Rubem Braga".
Que crueldade!
Tudo isso por que eu tenho essa natureza recalcada de fazer tudo (ou quase tudo) direito. Ou pelo menos tentar. Ou pelo menos ficar puto se não sai bem. E poupem-me os comentários de que este statement não soou nada modesto, problema é seu.
Se eu não faço, eu fico com um pulga atrás da orelha, tipo meu TD - trabalho de diploma - que tá num certo patamar inaceitável para os modelos de qualidade. Mas aí é outra história.
A propósito, alguém me alembre: o que eu vim fazer aqui na Eslováquia mesmo?
Eu quero é ver o que eu vou escrever no meu relatório de estágio, que baixe o Espírito Santo da Embromation.
Amém!
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Introspeção é uma arte
E foi então que na quinta-feira, véspera de outra conferência (menor, para 8 pessoas, mas mesmo assim eu teria que entregar sessões), eu fiquei doente.
Se tem uma coisa que me deixa estressado é ficar doente. Gripe, que seja. O mau-humor vem de uma forma que nem palavras descreveriam. Não chega nem perto do meu mau-humor-matinal-de-15-minutos. Nem perto!
Sem dor de cabeça. Sem dor de garganta. Sem febre. Somente tosse, muita tosse. Tosse seca.
Fui ao médico ontem, 29, e ela diagnosticou como virose. Eu tusso igual um cachorro velho. Minha garganta chega a estar irritada.
Estou de licença médica até sexta-feira, 02. Meu feriado (aqui também é feriado em 1o de Maio) vai ser de molho.
Estar doente para mim é quase uma terapia: Eu não converso, fico com cara de bund@, a auto-reflexão dá os braços para a introspeção e eu me torno outra pessoa. Outra pessoa!
Eu tenho minha cama, minhas drogas e muito lenço de papel. Deixem-me quieto, por favor. É o que peço.
Se tem uma coisa que me deixa estressado é ficar doente. Gripe, que seja. O mau-humor vem de uma forma que nem palavras descreveriam. Não chega nem perto do meu mau-humor-matinal-de-15-minutos. Nem perto!
Sem dor de cabeça. Sem dor de garganta. Sem febre. Somente tosse, muita tosse. Tosse seca.
Fui ao médico ontem, 29, e ela diagnosticou como virose. Eu tusso igual um cachorro velho. Minha garganta chega a estar irritada.
Estou de licença médica até sexta-feira, 02. Meu feriado (aqui também é feriado em 1o de Maio) vai ser de molho.
Estar doente para mim é quase uma terapia: Eu não converso, fico com cara de bund@, a auto-reflexão dá os braços para a introspeção e eu me torno outra pessoa. Outra pessoa!
Eu tenho minha cama, minhas drogas e muito lenço de papel. Deixem-me quieto, por favor. É o que peço.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Cinquenta Porcento
Domingo foi exatamente o marco "cinquenta porcento" do meu intercâmbio.
Isto que significa que foram 124 dias dos 248 dias (aprox. 8 meses) que passarei fora do Brasil.
A sensação?
Posso dizer que a saudade-de-matar que eu era para ter, ainda não tive. E talvez nem tenha.
Nos 50% eu já me sinto parcialmente adaptado a vida e detalhes da vida na Eslováquia. E sentirei falta.
Nos 50% eu prefiro pensar que ainda faltam mais de 80%. Ah, se eu pudesse!
Nos 50% eu me sinto estranho.
Estranho como 50%.
Isto que significa que foram 124 dias dos 248 dias (aprox. 8 meses) que passarei fora do Brasil.
A sensação?
Posso dizer que a saudade-de-matar que eu era para ter, ainda não tive. E talvez nem tenha.
Nos 50% eu já me sinto parcialmente adaptado a vida e detalhes da vida na Eslováquia. E sentirei falta.
Nos 50% eu prefiro pensar que ainda faltam mais de 80%. Ah, se eu pudesse!
Nos 50% eu me sinto estranho.
Estranho como 50%.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Cada povo tem o governo que merece...
Governo. Educação. Problemas sociais. Ruas.
Foi parado no ponto de ônibus ontem, olhando o "nada" que esta frase (mais uma vez) comprovou fazer o maior sentido do mundo desde os primórdios da minha habilidade de raciocínio.
Eram 22h, eu já morria de sono no ponto de ônibus esperando o 201, escorado na parede de acrílico fria, quando um sujeito, de aproximadamente 45 anos, barba por fazer, carrancudo, virado para rua e de costa para ao ponto de ônibus, termina de fumar o seu cigarro (nojento) e com aquele ar de liberdade Marlboro, calmamente, estende a mão e arremessa a bituca. Num ar de imponência ainda. Jogou, alí, a bituca. Na rua. Com um lixo a menos de 4m da bunda gorda dele.
O jovem sentado no banco de metal mais frio que o acrílico, cabelo baixo, aproximadamente 20 anos, vê a cena de relance e, como quem não aprova a situação, balança a cabeça negativamente, de forma discreta.
Fiquei com raiva. Muita raiva. Meuego superego (atualização: obrigado Lílian! lapso de momento, você está mais que certa!) entrou em batalha com o id, se eu pudesse descrever a batalha entre os dois eu diria que foi de proporções atômicas. O ego superego venceu, graças a Oxum (Deus, Iemanjá, Alá, você escolhe).
O 201 chegou.
Foi parado no ponto de ônibus ontem, olhando o "nada" que esta frase (mais uma vez) comprovou fazer o maior sentido do mundo desde os primórdios da minha habilidade de raciocínio.
Eram 22h, eu já morria de sono no ponto de ônibus esperando o 201, escorado na parede de acrílico fria, quando um sujeito, de aproximadamente 45 anos, barba por fazer, carrancudo, virado para rua e de costa para ao ponto de ônibus, termina de fumar o seu cigarro (nojento) e com aquele ar de liberdade Marlboro, calmamente, estende a mão e arremessa a bituca. Num ar de imponência ainda. Jogou, alí, a bituca. Na rua. Com um lixo a menos de 4m da bunda gorda dele.
O jovem sentado no banco de metal mais frio que o acrílico, cabelo baixo, aproximadamente 20 anos, vê a cena de relance e, como quem não aprova a situação, balança a cabeça negativamente, de forma discreta.
Fiquei com raiva. Muita raiva. Meu
O 201 chegou.
terça-feira, 18 de março de 2008
De volta aos 5 anos..
Hoje eu me senti como ter 5 anos de idade novamente.
Estava concentrado aqui lendo sobre segurança, logs e atividades na rede da empresa, regras de segurança, enfim, trabalhando.
Parei por alguns minutos para (re)aprender os números em Eslovaco, foi "momento bobeira", abri uma página na internet e falei em meio-tom: šest. Seis, em eslovaco.
O Peter, que trabalha comigo, estava do lado e olhou com aquela cara de assustado (também pudera, imagine você trabalhando e um louco fala, do nada, "seis!").
Ele perguntou: "Six what?" haha. Eu respondi "I'm practicing my Slovak..". Ele levantou e veio conferir. Eu estava com uns problemas de pronúncia e ele de prontidão veio ajudar.
Eu: "zésti?"
Ele: "Dgésti."
Eu: "Dzésti?"
Ele: "Dgésti."
Eu: "Dgésti!"
O seis saiu.
A última língua que estudei foi alemão e não lembro de ter me enroscado TANTO para aprender pronúncia. Não que eu pronuncie alemão perfeitamente, mas pelo menos é entendível haha.
Depois do seis foi o nove, depois o onze, o treze, o dezenove e o vinte.
Chega por hoje, de volta ao trabalho.
Estava concentrado aqui lendo sobre segurança, logs e atividades na rede da empresa, regras de segurança, enfim, trabalhando.
Parei por alguns minutos para (re)aprender os números em Eslovaco, foi "momento bobeira", abri uma página na internet e falei em meio-tom: šest. Seis, em eslovaco.
O Peter, que trabalha comigo, estava do lado e olhou com aquela cara de assustado (também pudera, imagine você trabalhando e um louco fala, do nada, "seis!").
Ele perguntou: "Six what?" haha. Eu respondi "I'm practicing my Slovak..". Ele levantou e veio conferir. Eu estava com uns problemas de pronúncia e ele de prontidão veio ajudar.
Eu: "zésti?"
Ele: "Dgésti."
Eu: "Dzésti?"
Ele: "Dgésti."
Eu: "Dgésti!"
O seis saiu.
A última língua que estudei foi alemão e não lembro de ter me enroscado TANTO para aprender pronúncia. Não que eu pronuncie alemão perfeitamente, mas pelo menos é entendível haha.
Depois do seis foi o nove, depois o onze, o treze, o dezenove e o vinte.
Chega por hoje, de volta ao trabalho.
terça-feira, 11 de março de 2008
Barrados no baile
Eu não vou dar um de politizado aqui, nem é este o objetivo do blog.
Objetivo do blog é escrever minhas experiências fora do Brasil e volta e meia compartilhar algum pensamento, e é por este último motivo que eu escrevo.
Eu continuo acompanhando notícias do Brasil, talvez mais do que se eu estivesse morando lá. Por estas e outras, tudo que eu vejo sobre diplomacia e relacionamento entre países acaba sendo do meu interesse.
A última e mais calorosa delas vem sendo a azeda relação diplomática entre Espanha e Brasil, duas nações que, aparentemente, não fazem idéia de quão irmãs são!
Para quem não sabe, há alguma semanas cerca de 30 brasileiros foram barrados em aeroportos de Madri. Impedidos de entrar naquele país, eles foram mandados de volta para o Brasil.
A explicação é sempre a mesma: não possuir passagem aérea de retorno, não possuir comprovantes de renda (cartões de crédito ou dinheiro em espécie, por exemplo) e nem um lugar para permanência (hotel, casa de amigo, etc..).
Alegando um princípio diplomático conhecido como "reciprocidade" o Brasil fez o mesmo com alguns espanhóis em Salvador: mandou os espanhóis de volta.
Se eu tivesse no Brasil eu provavelmente estaria muito revoltado com a Espanha (por ter repatriado os brasileiros) e estaria dando meus parabéns a atitude brasileira, mas depois de conhecer a realidade da vida no exterior eu posso dizer que medirei minhas palavras antes de tomar conclusões.
A Espanha, assim como outros países, por estar na União Européia e fazer parte do Acordo de Schengen, (basicamente livre trânsito entre países da Europa) é uma porta de entrada para que você possa perambular pela Europa sem muita encheção de saco. E mais, por estar na Europa (o nome que brilha nos olhos da maioria dos brasileiros), ela também é alvo de imigração por estrangeiros de países emergentes (por exemplo, Brasil).
Anualmente centenas de brasileiros saem do Brasil para outros países da Europa para tentar uma vida melhor. Alguns tem sucesso, outros acabam em trabalhos piores que aqueles no Brasil, outros se frustram e voltam para a terra verde e amarela, enfim, é sempre aquela história de sempre. Sem mencionar que na maioria das vezes a intenção é única e exclusivamente exploratória: ganhar dinheiro.
Na minha visita a Alemanha eu pude perceber que a maioria dos brasileiros que lá residem não tem a intenção de se interagir culturalmente, não vêem a necessidade de entender a cultura e o relacionamento interpessoal e tão pouco aprender a língua. E não me venham falar que visitar os parques e castelos é interação cultural (isso é turismo!)! Acabam criando mais e mais redutos de brasileiros, turmas, enfim, a interação local é mínima. Daí são essas e outras coisas que ofendem qualquer nativo. E eu não acho que isto aconteça somente na Alemanha.
Imagine o Brasil como uma das potências mundiais e, subitamente, uma invasão em massa de costa-riquenhos começa, mais e mais costa-riquenhos chegando, querendo trabalhar e ter uma vida melhor, andando apenas com seus amigos costa-riquenhos e não dando a mínima para o país. Para algumas nações isso soa como colônias dentro do seu país, uma espécie de dominação paulatina sem controle.
Não ficaria abismado se esta hipótese soasse "legal" para os brasileiros, pois somos conhecidos (e somos!) por sermos muito amigáveis e flexíveis com diferenças culturais. O que deixamos escapar é que é um erro pensar que outros países deveriam ser assim também, seria uma inflexibilidade cultural por nossa parte (ou quase imposição da sua cultura).
Eu não estou dizendo que todos os brasileiros que saem do Brasil agem desta forma, muito pelo contrário, conheço muitas pessoas (inclusive vivendo na Alemanha) que não se comportam de tal maneira e são exemplo de embaixadores brasileiros, porém esta minoria acaba pagando o preço da maioria, como sempre.
No outro lado da moeda, o Brasil está certo em fazer esta retaliação. Generalizar e tratar o cidadão brasileiro como marginal não foi uma atitude correta por parte dos oficiais espanhóis e como disse nosso Ministro da Justiça (Tarso Genro) à Folha, "é necessário que a legislação seja olhada com lupa, para que se sinta também do lado de lá que aqui tem leis".
Se a polícia espanhola tivesse feito o serviço direito desde o começo, eu acredito que eles não estariam tomando esta atitude agora. Eu digo isso por que existem centenas de brasileiros que conseguiram burlar a imigração e hoje trabalham ilegalmente na Espanha e a polícia espanhola tentar resolver o problema de forma precipitada nunca foi e nunca será uma solução sábia.
Com estes pensamentos eu já tive inúmeras conclusões mas eu escreverei aqui uma que considerei a mais importante: não tente ser 100% brasileiro fora do Brasil, não funciona - só piora! E o critério "ser brasileiro" vai desde "o jeitinho brasileiro" até onde a sua imaginação conseguir ir.
Objetivo do blog é escrever minhas experiências fora do Brasil e volta e meia compartilhar algum pensamento, e é por este último motivo que eu escrevo.
Eu continuo acompanhando notícias do Brasil, talvez mais do que se eu estivesse morando lá. Por estas e outras, tudo que eu vejo sobre diplomacia e relacionamento entre países acaba sendo do meu interesse.
A última e mais calorosa delas vem sendo a azeda relação diplomática entre Espanha e Brasil, duas nações que, aparentemente, não fazem idéia de quão irmãs são!
Para quem não sabe, há alguma semanas cerca de 30 brasileiros foram barrados em aeroportos de Madri. Impedidos de entrar naquele país, eles foram mandados de volta para o Brasil.
A explicação é sempre a mesma: não possuir passagem aérea de retorno, não possuir comprovantes de renda (cartões de crédito ou dinheiro em espécie, por exemplo) e nem um lugar para permanência (hotel, casa de amigo, etc..).
Alegando um princípio diplomático conhecido como "reciprocidade" o Brasil fez o mesmo com alguns espanhóis em Salvador: mandou os espanhóis de volta.
Se eu tivesse no Brasil eu provavelmente estaria muito revoltado com a Espanha (por ter repatriado os brasileiros) e estaria dando meus parabéns a atitude brasileira, mas depois de conhecer a realidade da vida no exterior eu posso dizer que medirei minhas palavras antes de tomar conclusões.
A Espanha, assim como outros países, por estar na União Européia e fazer parte do Acordo de Schengen, (basicamente livre trânsito entre países da Europa) é uma porta de entrada para que você possa perambular pela Europa sem muita encheção de saco. E mais, por estar na Europa (o nome que brilha nos olhos da maioria dos brasileiros), ela também é alvo de imigração por estrangeiros de países emergentes (por exemplo, Brasil).
Anualmente centenas de brasileiros saem do Brasil para outros países da Europa para tentar uma vida melhor. Alguns tem sucesso, outros acabam em trabalhos piores que aqueles no Brasil, outros se frustram e voltam para a terra verde e amarela, enfim, é sempre aquela história de sempre. Sem mencionar que na maioria das vezes a intenção é única e exclusivamente exploratória: ganhar dinheiro.
Na minha visita a Alemanha eu pude perceber que a maioria dos brasileiros que lá residem não tem a intenção de se interagir culturalmente, não vêem a necessidade de entender a cultura e o relacionamento interpessoal e tão pouco aprender a língua. E não me venham falar que visitar os parques e castelos é interação cultural (isso é turismo!)! Acabam criando mais e mais redutos de brasileiros, turmas, enfim, a interação local é mínima. Daí são essas e outras coisas que ofendem qualquer nativo. E eu não acho que isto aconteça somente na Alemanha.
Imagine o Brasil como uma das potências mundiais e, subitamente, uma invasão em massa de costa-riquenhos começa, mais e mais costa-riquenhos chegando, querendo trabalhar e ter uma vida melhor, andando apenas com seus amigos costa-riquenhos e não dando a mínima para o país. Para algumas nações isso soa como colônias dentro do seu país, uma espécie de dominação paulatina sem controle.
Não ficaria abismado se esta hipótese soasse "legal" para os brasileiros, pois somos conhecidos (e somos!) por sermos muito amigáveis e flexíveis com diferenças culturais. O que deixamos escapar é que é um erro pensar que outros países deveriam ser assim também, seria uma inflexibilidade cultural por nossa parte (ou quase imposição da sua cultura).
Eu não estou dizendo que todos os brasileiros que saem do Brasil agem desta forma, muito pelo contrário, conheço muitas pessoas (inclusive vivendo na Alemanha) que não se comportam de tal maneira e são exemplo de embaixadores brasileiros, porém esta minoria acaba pagando o preço da maioria, como sempre.
No outro lado da moeda, o Brasil está certo em fazer esta retaliação. Generalizar e tratar o cidadão brasileiro como marginal não foi uma atitude correta por parte dos oficiais espanhóis e como disse nosso Ministro da Justiça (Tarso Genro) à Folha, "é necessário que a legislação seja olhada com lupa, para que se sinta também do lado de lá que aqui tem leis".
Se a polícia espanhola tivesse feito o serviço direito desde o começo, eu acredito que eles não estariam tomando esta atitude agora. Eu digo isso por que existem centenas de brasileiros que conseguiram burlar a imigração e hoje trabalham ilegalmente na Espanha e a polícia espanhola tentar resolver o problema de forma precipitada nunca foi e nunca será uma solução sábia.
Com estes pensamentos eu já tive inúmeras conclusões mas eu escreverei aqui uma que considerei a mais importante: não tente ser 100% brasileiro fora do Brasil, não funciona - só piora! E o critério "ser brasileiro" vai desde "o jeitinho brasileiro" até onde a sua imaginação conseguir ir.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Pensamento do dia
Queria eu estar na Grécia para poder falar "este povo está falando grego comigo!".
Eu vou aprender esta língua!
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