quarta-feira, 30 de abril de 2008

Introspeção é uma arte

E foi então que na quinta-feira, véspera de outra conferência (menor, para 8 pessoas, mas mesmo assim eu teria que entregar sessões), eu fiquei doente.
Se tem uma coisa que me deixa estressado é ficar doente. Gripe, que seja. O mau-humor vem de uma forma que nem palavras descreveriam. Não chega nem perto do meu mau-humor-matinal-de-15-minutos. Nem perto!

Sem dor de cabeça. Sem dor de garganta. Sem febre. Somente tosse, muita tosse. Tosse seca.
Fui ao médico ontem, 29, e ela diagnosticou como virose. Eu tusso igual um cachorro velho. Minha garganta chega a estar irritada.
Estou de licença médica até sexta-feira, 02. Meu feriado (aqui também é feriado em 1o de Maio) vai ser de molho.

Estar doente para mim é quase uma terapia: Eu não converso, fico com cara de bund@, a auto-reflexão dá os braços para a introspeção e eu me torno outra pessoa. Outra pessoa!
Eu tenho minha cama, minhas drogas e muito lenço de papel. Deixem-me quieto, por favor. É o que peço.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cinquenta Porcento

Domingo foi exatamente o marco "cinquenta porcento" do meu intercâmbio.

Isto que significa que foram 124 dias dos 248 dias (aprox. 8 meses) que passarei fora do Brasil.
A sensação?
Posso dizer que a saudade-de-matar que eu era para ter, ainda não tive. E talvez nem tenha.
Nos 50% eu já me sinto parcialmente adaptado a vida e detalhes da vida na Eslováquia. E sentirei falta.
Nos 50% eu prefiro pensar que ainda faltam mais de 80%. Ah, se eu pudesse!

Nos 50% eu me sinto estranho.

Estranho como 50%.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Fotografias..

Sábado eu acordei meio tarde e resolvi andar pela cidade.
Peguei uns trocados, minha câmera e fui andar sem rumo. Quer dizer, quase sem rumo!
Eu queria andar pelo castelo, mas aí do castelo eu vi a ponte nova e da ponte nova eu vi a ponte Apollo. Este foi meu itinerário ;)

Fique com as fotos:

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Onde está Wallace?

Perdoe-me, mas é que são tantas as pessoas que eu acabo não lembrando.
Wallace, apresente-se, por favor.

(Eitado em 21/04/2008): Respondendo, MC e outras siglas da AIESEC podem ser encontradas aqui.

Sem mais.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Caça as bruxas..

Procurar casa (ap, na verdade) na Europa é como caçar bruxas: você não acha elas.

Impressionante como a rotatividade imobiliária é alta. E o pior é que eu sabia disso.
Estou a procura de um lugar para me mudar (de novo), pois meu CEED no MC acaba no mês que vem.


A aventura começa!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Cada povo tem o governo que merece...

Governo. Educação. Problemas sociais. Ruas.

Foi parado no ponto de ônibus ontem, olhando o "nada" que esta frase (mais uma vez) comprovou fazer o maior sentido do mundo desde os primórdios da minha habilidade de raciocínio.

Eram 22h, eu já morria de sono no ponto de ônibus esperando o 201, escorado na parede de acrílico fria, quando um sujeito, de aproximadamente 45 anos, barba por fazer, carrancudo, virado para rua e de costa para ao ponto de ônibus, termina de fumar o seu cigarro (nojento) e com aquele ar de liberdade Marlboro, calmamente, estende a mão e arremessa a bituca. Num ar de imponência ainda. Jogou, alí, a bituca. Na rua. Com um lixo a menos de 4m da bunda gorda dele.
O jovem sentado no banco de metal mais frio que o acrílico, cabelo baixo, aproximadamente 20 anos, vê a cena de relance e, como quem não aprova a situação, balança a cabeça negativamente, de forma discreta.
Fiquei com raiva. Muita raiva. Meu ego superego (atualização: obrigado Lílian! lapso de momento, você está mais que certa!) entrou em batalha com o id, se eu pudesse descrever a batalha entre os dois eu diria que foi de proporções atômicas. O ego superego venceu, graças a Oxum (Deus, Iemanjá, Alá, você escolhe).

O 201 chegou.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

R.I.P Ringo

Dizem que era uma mistura de pinscher com cocker.
Eu tinha 13 anos e não entendia nada de raça de cachorro (e ainda não entendo muito). Mas fiquei feliz. Era ele e a Pantera, uma pastora alemã, praticamente da mesma idade, porém esta última escapou e sumiu, ficou com a gente tempo suficiente para dar umas mordidas no Ringo (pois ele era menor e ela se aproveitava disso!).
O fato é que o Ringo era vira-lata.
Quando não na cozinha procurando o que comer, estava na sala, embaixo da mesa-de-2-metros, esperando a campanhia tocar para reagir instantaneamente e latir. Ou senão dormindo. Ou senão, na mesma mesa, esperando dar 18h para meu pai chegar e dar a volta sagrada da tarde...
Ah! E tinha de manhã também, quando ele escutava a coleira dele balançando e saía correndo desesperado, saltitante.
Ah!! E tem aquela história também do Dramin na mudança...e também aquela.. e aquela, e aquela outra!

Foram 10 anos, buddy!
Rest in peace! (e eu sei que você late em inglês! haha)


+ 1998 - * 2008

Final de semana sem perspectiva?

Na sexta-feira teve uma festa no apartamento do Dom (britânico) e do Max (francês).
Do jeito normal de sempre: leve suas bebidas que há comida te esperando.

Cheguei meia-hora atrasado, 20h, mas o suficiente para pegar a comilança desde o começo. Havia aproximadamente 15 pessoas por lá, quase todos gringos, somente 2 ou 3 eslovacos.
Entendível mas engraçado como estrangeiros tem uma tendência natural de se aglomerarem...

Fizeram uma espécie de comida turca - pão sírio com vários recheios separados em pratos. Você escolhia o que você queria e montava o seu "prato". Nada de especial entre os recheios: tomate, alface, carne moída, pimentas.

Tinha muito vinho, meia garrafa de absinto e algumas bebidas estranhas (álcools típicos da Eslováquia, as "icas" da vida: slivovica, borovička, čerešňovica...).
Como sempre, em todas as festas existem formas bizarras de se beber álcool e nesta não foi diferente.
Cheguei na cozinha e o pessoal estava brincando com absinto: coloca-se açúcar numa colher, derrama-se absinto (e deixa o restante cair num copo, embaixo) e ateia-se fogo na colher. Espera-se o açúcar derreter e ainda com fogo na colher, coloca-a dentro do copo. Com o copo pegando fogo, mistura-se o açúcar com o restante de líquido, espera o fogo se apagar e bebe a mistura.
Apesar de já ter ouvido falar disso, eu confesso que a princípio eu fiquei assustado com o ritual todo! haha
Mas claro, não poderia deixar passar e lá foi eu manejar o coquetel.

Analisando bem, é engraçado como bêbado é sem noção: atear fogo na bebida para depois beber? É algo totalmente paradoxal, uma vez que quando o fogo se apaga ou é por dois motivos: falta de comburente (oxigênio) ou combustível (no caso, álcool). Como eu não estava asfixiado, cheguei à conclusão de que não tinha mais álcool e o que eu bebi era apenas água (e outras coisas) com açúcar. Não era à toa que aquilo tinha gosto de melado. Foi bom até.

De lá fomos para um pub, já era 23h. Alligator, um pub que toca rock/metal. Bom, como era se esperar, as pessoas não conseguiram ficar lá por muito tempo, principalmente por que a maioria não curtia a música. Mas valeu o gostinho, tocou Sepultura (banda brasileira em pub eslovaco, foi demais)!!

Já era 01:30h e a cambada resolveu ir para uma balada. É uma balada em um barco que fica ancorado no Rio Danúbio.
Rumamos para esta balada mas eu não queria entrar (e principalmente pagar), então dei meia-volta e fui para casa, mesmo por que já estava bem cansado.

O sábado foi light. Acordei já era 13h, resolvi ir ao Slovak Pub para comer batata com bacon e passar o resto da tarde no parque.
Detalhe para o tempo agora: sol quase todos os dias até às 19:30h, temperatura durante o dia, em média, 18ºC! Impressionante mas o humor das pessoas já mudou, todos estão nas ruas, nos parques, sentados, conversando na grama, num clima descontraído. A cidade toda parece um Ibirapuera em dia de final de semana.
À noite eu tinha uma reunião (pelo Skype) com o Rafael, para finalizar uns assuntos da comissão de formatura. E tinha coisa para se conversar! Fiquei das 19h às 01h resolvendo pepinos. Mas valeu a pena.

Acordei no domingo sem perspectiva. Na verdade essa foi a primeira vez que eu não tinha nada para fazer no domingo: nenhuma viagem programada, nenhuma conferência da AIESEC, nenhuma pendência para resolver. Eu estava me sentindo como no Brasil, no domingo. Sabe como eu me sinto no Brasil, no domingo? Escute a música "Domingo" do Titãs que você vai ver. Colocarei aqui um trecho da música:

"Tudo está fechado
Tudo está fechado
Domingo é sempre assim
E quem não está acostumado?

É dia de descanso
Nem precisava tanto
É dia de descanso
Programa Sílvio Santos

Domingo eu quero ver o domingo passar
Domingo eu quero ver o domingo acabar
Domingo eu quero ver o domingo passar
Domingo eu quero ver o domingo acabar"
(Titãs - Domingo)

Então eu já acordei às 12h querendo ver o dia passar.
Sem paciência e motivação nenhuma para cozinhar meu almoço eu fui procurar algo para comer na rua. Não muito distante de casa eu parei no supermercado (hipermercado, na verdade) e no segundo andar fui fazer uma (re)visita ao Fornetti. Fornetti é uma franquia que vende desde salgados/doces folheados a pizza (com uma massa típica). Eu fui de pizza. Comi uma pizza de 8 pedaços sozinho (calma, calma, aqui é normal. É possível comer uma pizza de 8 pedaços sozinho, principalmente por que a massa é da finura da massa de pastel! haha).
Já "triste" de tanto comer e impossibilitado de andar, desafiei minha falta de perspectiva e rumei para o ponto de ônibus, decidido a mudar o cenário e clima de domingo.
E para onde eu ia? Sei lá! Peguei o ônibus de sempre, que me deixaria no centro. No meio do caminho eu lembrei que tinha uma mostra (disponível até outubro) no museu Nacional cujo tema era "A Eslováquia no século 20". Alguns intercambistas já tinham ido nesta amostra e falaram muito bem, e que inclusive tinha versões em inglês. Pronto, já tinha para onde ir, apesar de não saber se estaria ou não aberto.

Cheguei na entrada do museu e li a plaquinha: "Aberto de terça a domingo, das 9h às 17h". Ou melhor: "Utorok-Nedel'a - 9h-17h". Viva!
Paguei o equivalente a 5R$ (desconto para estudante) e me aventurei pela Eslováquia do século 20, por cerca de 2:30h.
A Eslováquia que não era Eslováquia, mas sim uma colônia explorada pelo império Austro-Húngaro;
A Eslováquia dominada pelos Húngaros (tão dominada que teve, no começo do século 20, imposições de ensino da língua húngara nas escolas);
A Eslováquia que conseguiu sua semi-identidade na formação da Checoslováquia de 1918;
A Eslováquia que perdeu sua semi-identidade em 1939 e tornou-se fantoche da Alemanha Nazista;
A Eslováquia que sofreu pela perda de milhares de judeus nos campos de concentração durante o Holocausto;
A Eslováquia que ganhou sua semi-identidade novamente, pós 1945, em seu estado Checoslováquia, expulsando alemães e húngaros de sua terra;
A Eslováquia que perdeu sua liberdade no período vermelho, sobre influência da União Soviética;
A Eslováquia que ganha sua liberdade após a vitória do c apitalismo sobre o socialismo, em 1989;
A Eslováquia que agora sim poderia ser chamada de Eslováquia, na dissolução da Checoslováquia, em 1993;
A Eslováquia da União Européia, em 2004;
A Eslováquia do acordo de Schengen, em Dezembro de 2007;

Por todos estes marcos históricos do país, inclui-se fotos, moedas, uniformes e aparatos de guerra, declarações, muitos vídeos e vários papéis.
Para mim foi como tirar dos livros fatos e datas, o sofrimento de povos e a ânsia pela soberania nacional, e ver tudo alí, ao vivo, "no preto e no branco". Foi uma aula de história.

Saindo museu resolvi passear no centro, não esperando muita gente, como todo "domingo na minha cabeça".
Era um domingo de sol e, ao contrário do que pensei, as ruas do centro velho estavam entupidas de gente!
Turistas e mais turistas, nativos tomando banho de sol no gramado à beira do rio Danúbio. Pais e filhos caminhando. Jovens carregando seus patins nos ombros indo para não-sei-onde. Mães empurrando seus carrinhos de bebê. Cachorros e mais cachorros, alegres e felizes andando com seus donos pela cidade. Foi como reavivar o ânimo e tirar da cabeça que os domingos na Eslováquia são como os domingos do Brasil.
Lojas abertas, feiras e barraquinhas alimentadas pelo turismo do centro velho. Muito, mais muito movimento..

Após cruzar o mar de gente, entrei num café, sentei e pedi um capuccino, com direito a diálogo em Eslovaco! (Jedena capuccino, prosím!)
Saboreei o capuccino ao mesmo tempo que lia o livreto do museu, com os pontos turísticos e amostras/exibições do mês (e já tenhos mais programas agendados - aguardem!)

No meio da leitura eu tive a brilhante idéia de ir ao cinema. Ainda eram 16h e o shopping era "logo alí", então tomei um ônibus (me perdi por uns 15min) e cheguei no shopping.
Como reflexo do centro, mais e mais gente andava para lá e para cá, como os shoppings no Brasil no domingo.
Comprei meu bilhete para a sessão "Onde os Fracos Não Têm Vez" (No Country for Old Men), áudio em inglês e legenda em tcheco!
Como a sessão ia começar em 2h, fui gastar a sola do meu tênis andando pelo shopping e no meio do hall da entrada principal (eu tinha entrado pela lateral) eu me deparo com um torneio de squash e uma semi-arquibancada montada para o público!
Não me lembro a última vez que vi um jogo de squash, para falar a verdade se eu vi eu nunca prestei a atenção, então dei esta chance a mim mesmo, comprei uma água e sentei na arquibancada. Confesso que é um jogo interessante de se ver! Dá até emoção..

Fiquei quase o tempo todo alí, sentado, vendo a bolinha pingando para lá e para cá na quadra montada em 100% de vidro transparente.

Saí dalí, passei na C&A, comprei umas roupas e fui pro cinema.
O filme é excelente e vale a pena! Tive que fazer o esforço de uma mãe que vai dar luz ao filho para entender o sotaque texano do Tommy Lee Jones, mas consegui entender o filme. Ufa.

Já eram 20:30h quando o filme acabou. Cheguei em casa 21:30h, pus a roupa para lavar, mexi um pouco na internet e fui dormir. Afinal, segunda-feira 6:20 me espera..

* Desculpe a ausência de fotos neste relato, mas, como falado, foi totalmente fora de planejamento! ;)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Frozen People

Ou, em português, "Pessoas congeladas".

A idéia surgiu em Nova York e foi criada por um grupo chamado "Improv Everywhere" (Improviso em todo lugar), liderado por um professor de teatro e formado por diversas pessoas, incluindo estudantes e outros cidadãos nova-iorquinos.
O principal objetivo do grupo é criar situações inusitadas, engraças, em ambientes públicos para simplesmente alegrar a vida do povo. Como dizem eles mesmos no site: "Improv Everywhere is, at its core, about having fun."
Tudo acontece sem aviso prévio ao público e o grupo pode ser de poucas pessoas até centenas de pessoas, dependendo da idéia (por isso difere-se do Flash Mob, pois esta consiste sempre em multidão, como a famosa guerra de travesseiros).
A mais famosa das invenções (chamadas de missões) deste grupo é o "Frozen People", que consiste em chegar uma multidão de agentes (como são chamadas as pessoas que participam das missões) num determinado lugar público, movimentado, e em um determinado momento os agentes se congelam por 5 minutos.
É tudo muito natural. Os agentes estão "camuflados", são pessoas normais andando em lugares movimentados, onde a impessoalidade reina. De repente todos os agentes se congelam e àqueles que passam pelo lugar ficam intrigados, curiosos, com uma nova história para contar no final do dia. Este é o intuito.
Já aconteceu na estação central de Nova York (primeira vez) e se espalhou pelo mundo: Londres, Berlim, Quebec, Hong Kong, Cidade do México, enfim, a lista completa você pode conferir aqui. São mais de 27 países segundo o site. Como a contabilidade é independente, eu assumo que este número já deva passar de 50! :) Se brincar já até aconteceu no Brasil também.

Ontem aconteceu aqui em Bratislava, no meio do Shopping Aupark (o maior da cidade) e, claro, eu não pude perder! Eu lembro que quando eu estava no Brasil eu sempre via estas coisas acontecerem e, de certa forma, reclamava: "Putz! Podíamos fazer estas coisas no Brasil também.." ou, para ser franco, eu sempre soltava "Ahhh mas é uma porcaria morar no Brasil mesmo!!!" haha
Sempre me simpatizei essas "atoices" e agora que estava acontecendo eu não podia deixar passar!
Recebi um SPAM na segunda-feira com data de encontro para instruções de onde, como e quando congelaríamos, mas infelizmente não pude atender, pois estava trabalhando. Sabia-se, pelo email, que o horário seria 17h, porém os detalhes (como qual seria o sinal para congelar) só seriam divulgados na reunião às 16h, numa praça perto do shopping.
Fiz alguns contatos e descobri que alguns AIESECers iriam congelar também, então agendei com eles que chegaria uns 5 minutos ates do congelamento e pegaria as instruções com eles.
Sai do trabalho, corri um pouco, peguei o ônibus e consegui chegar a tempo, exatos 5 minutos antes. Encontrei dois AIESECers que estavam zanzando pela entrada e eles me passaram as infos. Tudo pronto.
O sinal seria em eslovaco, dado através de um microfone que estava sendo instalado em um palco no meio do hall de entrada e seria algo como aquele teste de microfone: "Um, dois três, testando!". Algo normal!
Passados os 5 minutos, uma voz, em eslovaco:
_ "Jeden, dva, tri..microfona!"

Algumas pessoas estavam andando, outras paradas lendo livro, outras namorando, algumas bebendo água, outras sentadas anotando algo. Eu estava colocando minha jaqueta e congelei com um braço semi-aberto, colocando uma manga da jaqueta. Foram aproximadamente 50 pessoas congeladas em posições inusitadas!

E o resto do público andando, ou melhor, tentando andar, por que as 50 pessoas, querendo ou não, acabavam atrapalhando o trânsito. Eu não entendia o que as pessoas ao redor falavam, mas a cara de espanto valeu mais do que mil palavras! hahaha

Cinco minutos depois, a mesma voz:
_ "Jeden, dva, tri... microfona!"

Todos descongelaram e continuaram andando, ou fazendo o que estavam fazendo antes, como se nada tivesse acontecido. Eu estava cruzando o hall na hora, então terminei de colocar a jaqueta, parei para conversar com os AIESECos e saimos do hall para o supermercado.

Dêem uma olhada no vídeo e a foto (indicativa): apesar da péssima qualidade do vídeo e horripilante montagem, eu apareço, entre outros momento, no minuto 2:00, bem embaixo da tela, embora não dê para reconhecer direito (se você analisar dá pra ver a parte prateada da toca da minha jaqueta - é, eu sei que é demais..hehe).




Eu aconselho dar uma passada no site Improv Everywhere (em inglês) olhar as outras missões, pois são muito engraçadas, especialmente a missão The Moebius, que consistiu em repetir, por aproximadamente uma hora, a mesma sequência de eventos dentro da cafeteria Starbucks: um casal discutindo, um cara derrubando café/água, outro saindo para ir no banheiro e esbarra na cadeira, e um cara entrando por uma porta e saindo pela outra tocando uma música - tudo isso sincronizado e exatamente igual, por 12 vezes.

Let's improv the fun! :)

segunda-feira, 31 de março de 2008

Plzeň e Praha

Para os brasileiros, Pilsen e Praga.
Foi então que no feriadão de Páscoa eu fui conhecer a cidade que deu nome ao tipo de cerveja mais famoso no mundo (pilsen) e uma das mais belas capitais européias.

Serei breve no roteiro para não entediar.

Peguei um trem de Bratislava para Pilsen às 23h, chegando às 6h.
Paguei a mais para o tipo de reserva no trem chamado de "dormitório", em um espaço com "cama" para 6 pessoas. Posso dizer que isto é uma das coisas mais confortáveis que eu já pude vivenciar em uma viagem de 7h. Era apertado, claro, parecia uma lata de sardinha, mas como era para você dormir, só cabia você e mais 2 palmos na largura da cama (isso significa que você podia rolar, mas só um pouco!). E não tinha barulho também. Dormi como uma pedra, como de costume.
Na mesma cabine tinha uma família: pais e três filhos. Muito legal ;)
Acordei já era sexta-feira, em Pilsen, e como programado eu esperaria o Marcelo e seus amigos que viriam da Alemanha para Praga (passando por Pilsen).
Era de se esperar que eles chegariam, de carro, por volta das 9:30h. Foram 4h de chá de cadeira, já eram 10h e nenhum sinal dos brasileiros. Eu já tinha decidido que agora meu city tour em Pilsen seria sozinho, então deixei minha mochila no guarda-volumes da estação de trem e fui explorar Pilsen, me programando para pegar um trem às 19h e ir para Praga.
Pilsen não é muito grande e é marcada como um estereótipo de cidade européia: igrejas, praças, monumentos, prédios de cair o queixo e afins.
Como era período de Páscoa, acontecia uma feirinha na praça central, ao redor da enorme igreja (Igreja de São Bartolomeu) e como dito em um outro post estavam a venda os chicotes feitos de graveto, ovos de madeira (com pinturas), alguns artesanatos e, como em todo lugar cheio de gente, comida.
Depois eu fui para o tal tour da cerveja, que é um ponto de passagem obrigatório para qualquer um que visita Pilsen.
No lounge da cervejaria eu esperava o tempo passar para começar o tour e de repente eu vejo uma penca de gente entrando, entre elas uma cara conhecida: Marcelo!
Eles chegaram já era mais de 13h em Pilsen, como resultado de uma batida do carro (alugado) há alguns minutos (ou poucas horas) da saída deles de Nürnberg. Chequem a história com mais detalhe aqui.

O tour da cerveja pertence a marca Pilsner-Urquell, a cerveja mais famosa na República Tcheca.
O tour é convidativo: processos de fabricação de cerveja, um pouco de marketing da empresa e muita história. No final a degustação da cerveja a um passo antes de ser filtrada totalmente.
Diz a história que a região estava sendo vitimada pela qualidade da cerveja, chegando ao ponto dos consumidores de cerveja da época fazerem derrame de cerveja em praça pública para demonstrar a insatisfação. A época em questão é 1840.
Os cervejeiros da época, então, juntaram esforços e desenvolveram uma nova receita para a cerveja, incluindo, entre outras coisas, o armazenamento e fermentação da cerveja em temperaturas baixas (em torno de 10 a 15 graus Celsius), nova matéria-prima selecionada (água, cevada e lúpulo) e processos específicos. O produto final foi uma cerveja que ficou rapidamente famosa pela região da Boêmia (região onde se situa a cidade de Pilsen e Munique, por exemplo) e Europa Central. Hoje pelo mundo.
"Pilsner" significa "da cidade de Pilsen" e nenhuma cerveja, exceto àquelas fabricadas em Pilsen, poderiam levar o rótulo de "pilsen", na teoria. Mas a cerveja ficou tão famosa mundialmente que acabou virando um tipo de cerveja e é usada mundialmente para relembrar a qualidade das cervejas origanalmente fabricadas na cidade de Pilsen.
A visita dá opção de ver todo o processo de fabricação, engarrafamento e armazenamento da cerveja. Fotos abaixo:





Depois do tour sobraram energias somente para pegar a bagagem de volta na estação de trem, juntar-se ao bando e rumar para Praga.

Chegamos em Praga no começo da noite e não tínhamos expectativas para muita coisa: sobrou tempo somente para dar uma andada sem-vergonha pelo centro, tomar uma multa e ir embora.
Sim, multa! E eu não estou falando de carro, estou falando do transporte público.
Os desatentos marcaram a passagem de ida dentro do ônibus e ao voltar não sabiam que deviam marcar o ticket de metro na estação do metro (leia-se fora do trem), esperaram marcar o ticket dentro do trem. Quando chegaram dentro do trem, não tinha marcador.. Ao sair na estação de destino, lá estavam os fiscais olhando se os tickets estavam válidos (marcados): multa de aproximadamente 75R$ para cada um! Estávamos em 8! Revolta...

Sábado foi um dia muito bom. Saiu um sol sem-vergonha mas suficiente para colocar centenas de turistas nas ruas.
Praga é uma cidade fantástica, cosmopolita, parece que a cidade toda foi construída para ser turística! Muitas igrejas, prédios históricos por todos os cantos e muita arquitetura exótica (para os nossos olhos!).
A peregrinação foi do castelo (que, na verdade, não tem castelo nenhum haha), passando pela ponte Charles durante o dia e ao escurecer chegando na praça central.
À noite o pessoal resolveu ir jogar boliche e eu resolvi ir para uma balada.
Como acordei tarde no domingo, o grupo já tinha saído e eu fui andar sozinho.
Aproveitei para ir aos lugares que sempre quis conhecer, principalmente relacionados ao Franz Kafka.
O roteiro de domingo incluiu a torre de TV (com seus bebês escalando-a!!), o cemitério judaica judaico (onde Kafka está enterrado), o castelo antigo (onde eu passei um tempo para fazer um piquenique) e o museu de Franz Kafka.

Segunda-feira eu peguei uma carona com um casal que conheci (bem por acaso!) em Bratislava e voltei!

Voltei para casa com uma gripe (outra!) lazarenta, alguns presentes, muitas fotos e histórias para contar! :)

Fiquem com as fotos...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Eu...

Eu.
Eu fui para Pilsen.
Eu fui para Praga.
Eu também fiquei doente.
Eu estou numa conferência da AIESEC.
A conferência da AIESEC dura até domingo.
Eu estarei cansado e ainda doente no domingo.
Segunda começa a semana de trabalho, trabalho, trabalho....


p.s: prometo escrever sobre Praga e Pilsen quando eu não estiver trabalhando. Ou doente.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Presente de Páscoa

Era 13:55h.
Foi um diálogo simples, ao acaso, mas animador:

Peter: _ Dio, you can leave, we are finishing at 14h today.
Dio: *cara de espanto*
Dio: _ Dobré! (ok, em eslovaco)

Foi assim que minha semana acabou.

Que venha Plzeň e Praha!

Fechado para balanço

Aqui é feriado na sexta-feira e na segunda e, sendo assim, eu vou para algum canto. Cantos, melhor dizendo.

Eles (os cantos) já têm nome: Plzeň e Praha.
Não façam cara feia não, vocês conhecem estas cidades: Pilsen ("Ahhhhhh, aquele tipo de cerveja!!" - isso mesmo) e Praga, ambas na República Tcheca.

Estou indo para lá com o Marcelo e alguns amigos dele (todos brasileiros morando na Alemanha).

Enquanto isto leia o post abaixo, sobre a Páscoa nas Repúblicas.

Segunda-feira regresso a Bratislava, volto aqui (no blog) quem sabe na segunda, ou terça, ou quarta...

quarta-feira, 19 de março de 2008

A Páscoa na Eslováquia

Confesso que fiquei bem chocado quando fiquei sabendo das tradições da Páscoa na Eslováquia.
Na verdade não com as (plural), mas com "a", especificamente uma que acontece na segunda-feira.
Mas antes de chegar na segunda-feira, vamos do começo.

Sendo a Eslováquia um país majoritariamente católico, de certa forma não é de se ficar surpreso com as celebrações e a (exagerada) importância a certas tradições.
O que me estranha é o fato de muitas vezes a parte folclórica é muito relacionada com a natureza: tomar banho em água de nascentes, comer vegetais para se manter saudável, etc. Por um certo ângulo estes pensamentos estão mais pagãos do que católicos. Sincretismo religioso? Pode ser.
É claro também que eu, provavelmente, nem vou ver isso que vou escrever aqui, pois moro na capital e vida urbana e folclore/religião são coisas que raramente co-existem. Sendo assim o que escreverei são celebrações mais vistas no interior, ou de certa forma distorcidamente celebradas nas cidades "grandes", como Bratislava. Mas enfim, vamos lá.

Primeiro existe uma série de nomes para os dias da semana que antecedem a Páscoa: Quinta-feira Verde, "Grande Sexta-feira" ou "Boa Sexta-Feira", "Sábado branco" ou "Sábado da Páscoa", o domingo de Páscoa é chamado de "Grande noite" e a segunfa-feira de Páscoa ou "Grande Noite da Segunda".

Quinta-feira: A quinta-feira é conhecida como o dia da limpeza. As pessoas deveriam tomar banho em água corrente, nos inúmeros riachos que existem no país para se purificarem. O nome "Quinta-feira verde" advém do fato de que neste dia as pessoas deveriam preparar muitas comidas "verdes", muito vegetal, para que tivessem uma vida mais saudável e longa.

Sexta-feira: Segundo as tradições, este seria o dia em que bruxas e magos sairiam. A lenda diz que estas bruxas arruinariam os jardins das casadas, derrubaria árvores e roubaria leite das vacas. [nota: aqui eu vejo que o leite - e seus derivados - é uma coisa muito importante para a cultura: iogurtes, queijos, etc..etc... eu percebi isto quando cheguei. Neste caso, roubar o leite das vacas, para eles, deve ser como arruinar as plantações de arroz e feijão para os brasileiros haha]. Por outro lado, os magos seriam responsáveis por machucar qualquer pessoa que ele encontrasse nas ruas da cidade.
Para evitar tal aparições, este seria um dia para se comer muito alho (deve ser daí que veio a tal da sopa de alho - Garlic Soup). Ah! Não só comer, mas também espalhar alho em alguns lugares, como na entrada dos estábulos.

Sábado: Este dia seria famoso por jogar fora e queimar tudo aquilo que fosse velho e prejudicial. Também conhecido entre eles por "Queimando Judas".
Neste dia, em paralelo com a queimação toda, eles fariam comida para celebrar a ocasião, geralmente cozinhariam porco (guardando a gordura suína para uso posterior - para curar doenças, segundo eles).


Domingo: Na tradição de Páscoa, este dia seria para levar toda comida preparada no dia anterior para igreja, para ser benzida e posteriormente comida, no almoço.
A cerimônia seria parecida com a do natal, incluindo, inclusive muitos cereais.

Segunda-feira: Esta é a parte mais chocante! haha
Não só na Eslováquia mas como também na irmã República Tcheca (e prima Polônia), existe um costume de se jogar água nas mulheres ao amanhecer e "chicotear" as pernas com uma varinha cheia de fitas (pomlázka) ou feita de gravetos.
Motivo? Espantar os males e purificá-las, deixando-as saudáveis para a Primavera. Em troca, as mulheres dão licores (e outros alcoólicos locais, como Borovička), ovos pintados (kraslice) ou até comida.


Lendo mais sobre isto, cheguei a alguns fatos interessantes.
Por exemplo, no interior, as mulheres ficam em casa durante este dia recebendo visitas dos familiares (homens) que vêm para jogar água nelas. Assim como seus maridos e filhos saem para fazer o mesmo com as mulheres da mesma família, ou até mesmo amigos.
A questão da quantidade de água vai da malícia alheia também: há relatos de mulheres que são acordadas por seus maridos com baldes d'água, ou pegas de surpresa na cozinha, por exemplo. O lugar pouco importa. Ao mesmo tempo existem algumas meninas que levam apenas meio copo de água na cara! hahaha!
A coisa é tão séria que algumas mulheres se sentem ofendidas ou tristes quando não recebem uma visita para lhes jogar água! (reparem na cara de felicidade da senhorita de branco, na foto, sendo "chicoteada". Deve ser até engraçado..)

Ah! E são só as mulheres que recebem esta "benção"! [nota2: aí penso eu: seria isto, novamente, o machismo oculto na cultura eslovaca?]

Nos dias de hoje, principalmente em Bratislava, este história de jogar água nas mulheres é quase uma questão diplomática. Por ser a capital do país, as pessoas já não estão conectadas a estas tradições e jogar água na cara de alguém pode, muito provavelmente, soar como ofensa.

O povo que trabalha comigo disse que hoje em dia eles só molham a mão na torneira e espirram gota de água, para simbolizar a situação. Sorte delas.

terça-feira, 18 de março de 2008

De volta aos 5 anos..

Hoje eu me senti como ter 5 anos de idade novamente.

Estava concentrado aqui lendo sobre segurança, logs e atividades na rede da empresa, regras de segurança, enfim, trabalhando.
Parei por alguns minutos para (re)aprender os números em Eslovaco, foi "momento bobeira", abri uma página na internet e falei em meio-tom: šest. Seis, em eslovaco.
O Peter, que trabalha comigo, estava do lado e olhou com aquela cara de assustado (também pudera, imagine você trabalhando e um louco fala, do nada, "seis!").
Ele perguntou: "Six what?" haha. Eu respondi "I'm practicing my Slovak..". Ele levantou e veio conferir. Eu estava com uns problemas de pronúncia e ele de prontidão veio ajudar.
Eu: "zésti?"
Ele: "Dgésti."
Eu: "Dzésti?"
Ele: "Dgésti."
Eu: "Dgésti!"

O seis saiu.

A última língua que estudei foi alemão e não lembro de ter me enroscado TANTO para aprender pronúncia. Não que eu pronuncie alemão perfeitamente, mas pelo menos é entendível haha.

Depois do seis foi o nove, depois o onze, o treze, o dezenove e o vinte.

Chega por hoje, de volta ao trabalho.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Por favor, posso estalar minhas juntas?

Eu sou um viciado em estalar juntas: dedos, pescoço, vértebra. Estalo tudo!
Talvez eu já esteja meio podre também, mas enfim, estalar os dedos era um vício que eu não sabia que tinha até eu chegar na Eslováquia.

http://saude.hsw.uol.com.br/questao437.htm

quarta-feira, 12 de março de 2008

Uma ová!

Primeiro, o título do post não está errado. É ová mesmo.

Eu lembro quando eu era menor, sentado e assistindo ao jogo feminino de vôlei de países do leste europeu (como Rep. Tcheca). Tudo que não entendia era por que as mulheres pareciam ter nomes iguais.
Hoje fui no site da liga feminina de vôlei da Rep. Tcheca e peguei a lista das atletas:

  1. Daniela Gönciová
  2. Vendula Měrková
  3. Nikol Sajdová
  4. Veronika Kadlecová
  5. Andrea Krupniková
  6. Eva Ryšavá
  7. Barbora Minářová
  8. Michaela Fraňková
  9. Dita Gálíková
  10. Jana Gogolová
  11. Michaela Fraňková
  12. Dita Gálíková
Tirando a excentricidade dos "acentos circunflexos ao contrário" e os tremas em vogais, o que eu via de mais curioso eram os "ovás". Quase tudo acabava com "-ová".
Há algumas semanas, numa "conversa de bar", estavam fazendo uma brincadeira com a Ioana, romena que mora comigo (e que namora um eslovaco cujo sobrenome é Barok), que ela se chamaria "Ioana Baraková". Aí eu interrompi e perguntei que RAIOS era isso! Explicaram-me que quando há união civil entre casais a mulher ganha o sobrenome do marido, acrescido de "-ová" no final. Caso o casal tenha uma filha, ela levará o sobrenome do pai acrescido de "-ová" (ou o sobrenome da mãe, como quiser). Isto só se aplica ao sexo feminino. No caso do casal ter um filho, ele levará o sobrenome do pai, sem acréscimos. Até aí tudo bem! É algo da cultura, etc.. não fazia muito sentido na minha cabeça haha mas tinha matado minha curiosidade, digamos assim.
Observação: Nos veículos de comunicação (jornais e revistas, por exemplo), se eles estiverem falando de uma estrangeira, mesmo não tendo relação ALGUMA com a Eslováquia (ou Rep. Tcheca), por exemplo, Nicole Kidman ou Gisele Bünchen, eles vão colocar o -ová no final. Nicole Kidman vira Nicole Kidmanová e Gisele Bünchen vira Gisele Bünchenová! Audácia! Haha! Muito legal isso..

Eis que hoje estava aqui no trabalho fazendo nada (por que meu chefe está doente e não me mandou o que fazer por email) e lendo o guia sobre a cidade de Praga, lendo nomes de praças e ruas, e de repente eu percebo que uma grande maioria de ruas ou terminava com -ová ou com -ská! Bílkova, Purkyňova, Rathova, Vodičkova, Melantrichova, Jaramírova, Slavojova, Parléřova.
Aí, claro, como reação normal do ser humano, a cabeça começa a tentar fazer relação com o conhecido. Mas não fazia sentido uma rua ser casada com alguém! haha E neste caso não era "-ová" e sim "-ova", sem acento.
"Não sabe? Pesquise! Não achou? Pergunte!". Foi seguindo esta máxima que lá foi eu atrapalhar e perguntar para os colegas trabalho que RAIOS era aquilo.
Conversa vai, conversa bem, disseram-me que o "-ova" para os nomes de rua significava "of" (de/do/da). Rathova era "do Rath" (Rathova Ullice/Ulica, Rua do Rath), Jaramírova era "do Jaramir" (Jaramírova Ullice/Ulica, Rua do Jaramir).
E a voz interior diz: "Ahhhhhh!!!! Entendi!!". Ponto a menos para a ignorância.

Não temporalmente muito distante dali os pontos se conectam, a lógica age e uma dúvida surge: "Será que Nicole Kidmanová significa 'Nicole do Kidman?'"? Bingo!
Somente por uma questão gramatical (não me pergunte qual!) é que uma forma tem acento e a outra não. Quando perguntei se era isso mesmo, eles [os colegas] pararam, pensaram, pensaram e responderam: "É, realmente... pode ser.." hahaha
Querendo eles ou não, isso soa meio pré-histórico e machista para mim.

Enfim, que venham as -ovas ...

terça-feira, 11 de março de 2008

Barrados no baile

Eu não vou dar um de politizado aqui, nem é este o objetivo do blog.
Objetivo do blog é escrever minhas experiências fora do Brasil e volta e meia compartilhar algum pensamento, e é por este último motivo que eu escrevo.

Eu continuo acompanhando notícias do Brasil, talvez mais do que se eu estivesse morando lá. Por estas e outras, tudo que eu vejo sobre diplomacia e relacionamento entre países acaba sendo do meu interesse.
A última e mais calorosa delas vem sendo a azeda relação diplomática entre Espanha e Brasil, duas nações que, aparentemente, não fazem idéia de quão irmãs são!
Para quem não sabe, há alguma semanas cerca de 30 brasileiros foram barrados em aeroportos de Madri. Impedidos de entrar naquele país, eles foram mandados de volta para o Brasil.
A explicação é sempre a mesma: não possuir passagem aérea de retorno, não possuir comprovantes de renda (cartões de crédito ou dinheiro em espécie, por exemplo) e nem um lugar para permanência (hotel, casa de amigo, etc..).

Alegando um princípio diplomático conhecido como "reciprocidade" o Brasil fez o mesmo com alguns espanhóis em Salvador: mandou os espanhóis de volta.
Se eu tivesse no Brasil eu provavelmente estaria muito revoltado com a Espanha (por ter repatriado os brasileiros) e estaria dando meus parabéns a atitude brasileira, mas depois de conhecer a realidade da vida no exterior eu posso dizer que medirei minhas palavras antes de tomar conclusões.

A Espanha, assim como outros países, por estar na União Européia e fazer parte do Acordo de Schengen, (basicamente livre trânsito entre países da Europa) é uma porta de entrada para que você possa perambular pela Europa sem muita encheção de saco. E mais, por estar na Europa (o nome que brilha nos olhos da maioria dos brasileiros), ela também é alvo de imigração por estrangeiros de países emergentes (por exemplo, Brasil).
Anualmente centenas de brasileiros saem do Brasil para outros países da Europa para tentar uma vida melhor. Alguns tem sucesso, outros acabam em trabalhos piores que aqueles no Brasil, outros se frustram e voltam para a terra verde e amarela, enfim, é sempre aquela história de sempre. Sem mencionar que na maioria das vezes a intenção é única e exclusivamente exploratória: ganhar dinheiro.

Na minha visita a Alemanha eu pude perceber que a maioria dos brasileiros que lá residem não tem a intenção de se interagir culturalmente, não vêem a necessidade de entender a cultura e o relacionamento interpessoal e tão pouco aprender a língua. E não me venham falar que visitar os parques e castelos é interação cultural (isso é turismo!)! Acabam criando mais e mais redutos de brasileiros, turmas, enfim, a interação local é mínima. Daí são essas e outras coisas que ofendem qualquer nativo. E eu não acho que isto aconteça somente na Alemanha.
Imagine o Brasil como uma das potências mundiais e, subitamente, uma invasão em massa de costa-riquenhos começa, mais e mais costa-riquenhos chegando, querendo trabalhar e ter uma vida melhor, andando apenas com seus amigos costa-riquenhos e não dando a mínima para o país. Para algumas nações isso soa como colônias dentro do seu país, uma espécie de dominação paulatina sem controle.
Não ficaria abismado se esta hipótese soasse "legal" para os brasileiros, pois somos conhecidos (e somos!) por sermos muito amigáveis e flexíveis com diferenças culturais. O que deixamos escapar é que é um erro pensar que outros países deveriam ser assim também, seria uma inflexibilidade cultural por nossa parte (ou quase imposição da sua cultura).

Eu não estou dizendo que todos os brasileiros que saem do Brasil agem desta forma, muito pelo contrário, conheço muitas pessoas (inclusive vivendo na Alemanha) que não se comportam de tal maneira e são exemplo de embaixadores brasileiros, porém esta minoria acaba pagando o preço da maioria, como sempre.

No outro lado da moeda, o Brasil está certo em fazer esta retaliação. Generalizar e tratar o cidadão brasileiro como marginal não foi uma atitude correta por parte dos oficiais espanhóis e como disse nosso Ministro da Justiça (Tarso Genro) à Folha, "é necessário que a legislação seja olhada com lupa, para que se sinta também do lado de lá que aqui tem leis".

Se a polícia espanhola tivesse feito o serviço direito desde o começo, eu acredito que eles não estariam tomando esta atitude agora. Eu digo isso por que existem centenas de brasileiros que conseguiram burlar a imigração e hoje trabalham ilegalmente na Espanha e a polícia espanhola tentar resolver o problema de forma precipitada nunca foi e nunca será uma solução sábia.

Com estes pensamentos eu já tive inúmeras conclusões mas eu escreverei aqui uma que considerei a mais importante: não tente ser 100% brasileiro fora do Brasil, não funciona - só piora! E o critério "ser brasileiro" vai desde "o jeitinho brasileiro" até onde a sua imaginação conseguir ir.

Vida leva eu...

Eu tenho me sentido assim nos últimos dias: vida leva eu.
Mas não é por que eu não estou fazendo nada, pelo contrário, por que estou com o dia inteiro lotado.

Novidade é que hoje eu lavei minha roupa E meu pendrive! hahaha Pura falta de prática..

Estou planejando uma viagem para Praga na Páscoa, uma vez que aqui é feriado dia 21 e dia 24!

No momento estou lendo e relendo o guia de Praga, além de contar as moedas....

segunda-feira, 10 de março de 2008

Um pouco de político-social

Corrupção
http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2007